domingo, 22 de agosto de 2010

A DERROTA DA GRANDE MÍDIA

Cada artigo de Ricardo Kotscho é uma verdadeira aula de jornalismo. São textos impecáveis, lúcidos, que fazem um diagnóstico preciso da realidade do país e do comportamento da mídia. Este de hoje, que reproduzimos agora, devia ser lido nas rádios e nas escolas de comunicação espalhadas pelo país, ser levado ao conhecimento da classe média e do povão:

"A se confirmarem as previsões de todos os principais institutos de pesquisa apontando a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno das eleições presidenciais, não serão apenas o candidato José Serra e sua aliança demotucana de oposição os grandes derrotados. Perdem também, mais uma vez, os barões da grande mídia brasileira.

Foram-se os tempos em que eles faziam ou derrubavam presidentes e se julgavam os verdadeiros donos do poder, os formadores de opinião, os únicos proprietários da verdade. Durante os últimos oito anos, desde a primeira eleição de Lula, não fizeram outra coisa a não ser mostrar em suas capas e manchetes um país desgovernado, sempre à beira do abismo.

Em cada estatística divulgada, procuravam destacar sempre o lado negativo, sem se dar conta de que a vida dos brasileiros estava melhorando em todas as áreas, e os cidadãos eleitores percebiam isso.

Fechados em seus gabinetes e certezas, longe do país real, imaginavam que desta forma ajudariam a eleger o candidato da oposição em 2010. Fizeram a sua parte, é verdade, anunciando uma crise do fim do mundo atrás da outra, batendo no governo dia sim e no outro também, mas não deu certo de novo.

Em reunião da Associação Nacional dos Jornais, a presidente da entidade, Judith Brito, chegou a dizer com todas as letras que, na falta de uma oposição partidária, era preciso a imprensa assumir este papel, como de fato fez. Os líderes demotucanos acharam que isto seria suficiente para derrotar Lula e a sua candidata. Acreditarem que o apoio da mídia poderia fazer a diferença, decidir o jogo a seu favor. Que bobagem!

Até a última semana, antes da divulgação das novas pesquisas, o noticiário ainda alimentava o discurso da oposição numa operação casada contra o governo e a sua candidata. Como a vaca da campanha tucana caminhou inexoravelmente para o brejo, num lance desesperado para tentar virar o jogo, José Serra procurou associar sua imagem à de Lula no programa de televisão. Aí foi a vez dos seus aliados na mídia darem um basta e jogarem a toalha: assim também não…

Quem sabe agora tenham a humildade e o bom senso de reconhecer que acabou a época dos formadores de opinião abrigados na grande imprensa, que perde circulação e audiência a cada dia. Novos meios e novos agentes multiplicaram-se pelo país, democratizando a informação e a opinião.

Ninguém mais precisa dizer o que devemos pensar, como devemos votar, o que é melhor para nós. A liberdade de imprensa e de expressão não tem mais meia dúzia de donos. É um direito conquistado por todos nós".

*Ricardo Kotscho é jornalista e escritor, trabalhou nos principais jornais do pais, publicou 19 livros e foi assessor de imprensa do presidente Lula no 1º governo. Saiu porque não tem vocação para a burocracia da vida pública.

3 comentários:

  1. Peço licença para contrariar a defesa da aula magna de jornalismo atribuida ao Ricardo Kotscho, primeiro o RK não deixou a assessoria de LULA por falta de vocação, mas sim por decisã estratégica, o governo precisava de um soldado seu na arena do jornalismo, que batesse na oposição e endeusasse o governo diuturnamente e isso o RK mostra que sabe fazer sem meias palavras, faz abertamente.
    E, sobre a mídia...Quem administra a mídia no Brasil de hoje é o governo, TV Brasil só mostra simpatizantes do governo etc a TV tem agradecido ao governo e tem pegado leve com ele...Ainda acham pouco? É interessante lembrar, que o próprio SERRA é de esquerda, como o são boa parte dos seus pares. A diferença é que SERRA está mais distante do que a DILMA simpatiza como os "guerrilheiros" das FARC's e outras...As Farc's que estrupraram a senadora colombiana com requintes de perversidade etc Agora, democracia é se vocês publicarem minha opinião...quero ver!

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  2. Interessante seu comentário. Chega a desafiar o Blog para publicá-lo e se esconde atrás do anonimato.

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  3. Será que se não tivessemos 12 milhões de bolsa família (cestas básicas) a vitoria seria tão consagradora? Será que se o Senhor Presidente se comportasse como magistrado e não cabo eleitoral, inclusive descumprindo a lei eleitoral, a vitoria tão consagradora?

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