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domingo, 18 de abril de 2010

A UM CERTO ROBERTO CARLOS

Roberto Carlos não é um cantor. Mais do que um compositor, um artista, ele é uma espécie de entidade nacional. Representou a juventude, no início da carreira, depois a classe média romântica nos anos 70 e 80 e nos últimos anos é celebrado por diferentes gerações, inclusive o pessoal da chamada terceira idade. RC funciona quase como um relógio, ou bússola, a marcar passagens da nossa vida. No meu caso pessoal, a primeira vez que me liguei de verdade numa canção foi quando ouvi no rádio "Quero Que Vá Tudo Pra o Inferno", que a Igreja Católica na época considerou uma heresia. Achei incrível, e tinha apenas sete anos. Voltei a sentir um impacto semelhante quando ouvi "Namoradinha de um Amigo Meu". Só conhecia Luiz Gonzaga e Marinês, assim meio de raspão, e amei aquela nova canção de amor. Chegava aos nove anos de idade. A música "A Distância" traz à lembrança uma das primeiras namoradas e um Natal em Garanhuns. "O Portão" motiva recordações do Colégio Boa Vista, no Recife, quando eu tinha como colega de turma uma certa Gabriela, parecida com o personagem de Jorge Amado. "Cavalgada" remete a beijos e abraços com o primeiro amor não platônico e "Você Não Sabe" reflete o encontro de uma paixão quase impossível, proibida, mas que se fez forte o bastante para sobreviver até aos arranha-céus de São Paulo.
Roberto Carlos tem defeitos, é meio limitado, não saca nada de política e nunca demonstrou preocupação pelos mais pobres, pelas injustiças sociais. Defendeu as baleias, outros bichos, mas esqueceu na maioria das vezes os seres humanos (a não ser na canção que leva este título) e saiu pelo mundo a cantar o amor e a sua fé. "Lady Laura", uma música que muitos podem considerar babaca, ele fez para louvar sua mãe. Gosto dessa canção e acho que se pode admirar qualquer filho por homenagear de forma tão singela aquela que o trouxe a este mundo. "Aquela Casa Simples" e "Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo", dedicadas ao pai, são tocantes, fazem chorar. Principalmente quem já perdeu o seu herói, seu super homem da infância.
O cantor nunca devia ter proibido o livro "Roberto Carlos em Detalhes", o mais completo trabalho que já se fez neste país sobre esse artista simples e complicado, que está para a música popular brasileira como Pelé está para o futebol. Rei. um rei que agora está órfão de pai e mãe, aos 69 anos de idade, e que por ser tão querido, tão amado, deve neste momento estar recebendo a solidariedade de milhões de súditos pelo mundo afora.
Roberto tem muito de Brasil. Não é por outro motivo que há mais de 50 anos reina como um deus no universo da música romântica e popular. Ainda precisamos dele para fazer a marcação do tempo, das horas, dos momentos relevantes. Vamos esperar que ele não desabe e siga confiante, porque um dia, quem sabe, encontrará lá na frente, de alguma maneira, Seu Robertino, Dona Laura e Maria Rita. Será o grande encontro, entre milhões de estrelas, como prevê numa das canções que compôs (sem a ajuda de Erasmo) no início dos anos 2000.
Roberto Carlos até quando? Como os grandes artistas terminam sendo imortais, quem sabe o teremos em nossos corações Pra Sempre.

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