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sábado, 17 de abril de 2010

GARANHUNS POR INTEIRO



Garanhuns é um somatório de municípios vários, a maior parte deles localizados nesta parte do Estado que se convencionou chamar Agreste Meridional. Somos todos garanhuenses: viemos de Brejão, de Terezinha, Correntes, Lagoa do Ouro, Bom Conselho, Saloá, Iati, Paranatama, Caetés, Capoeiras, São Bento do Una, Jucati, Jupi, Calçado, Lajedo, São João, Angelim, Palmeirina, Canhotinho, Quipapá, Águas Belas... Outros vieram de mais longe: do Sertão, da Zona da Mata da Região Metropolitana... E de outros Estados: Alagoas, Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte, Bahia...
O garanhuense legítimo está fixado preferencialmente no centro ou no melhor pedaço de Heliópolis. Os que vieram de outras terras – próximas ou distantes – se espalham pela periferia. São egressos dos lugarejos vizinhos, alguns deles ex-distritos da terra de Simoa. Os “forasteiros” estão na Cohab I e II, na Bela Vista, Brahma, Manoel Chéu, Vila Canadá, Massaranduba, Indiano, Vila do Quartel, Lacerdópolis, Parque Fênix, Jardim Petrópolis... Bairros novos que não foram legitimados como bairros. Nomes tão bonitos, no entanto não têm sequer uma pracinha a lhes justificar a denominação criativa.
Um pedaço da cidade bem merece o título de “Suíça Pernambucana”. Tem ruas bem traçadas, canteiros bonitos, flores, casas antigas e novas igualmente belas, monumentos, parques e um ar um tanto europeu. Uma elite comanda essa parte europeia da província e não está preocupada com muita coisa mais, a não ser tocar bem os seus negócios, freqüentar a praia na alta estação, manter um apartamento na capital para os finais de semana, viajar sempre que possível para o Centro-Sul ou mesmo países da Europa ou Estados Unidos.
O outro pedaço da zona urbana está mais para a Índia, quando não o Haiti. Jovens e velhos suados que andam longas distâncias a pé, ou contam as moedas para a corrida de moto-táxi, embora muitos prefiram a segurança dos ônibus. São mocinhas que descem todos os dias para o centro, umas vestidas de blusas amarelas, outras de azul, ou bege, depende do estabelecimento em que vão ganhar o salário todo mês, pelo menos durante um tempo.
Quem ama Garanhuns? Os pobres que vieram de lugares mais pobres, em busca de melhores condições de vida e moram em vilas parecidas com suas cidadezinhas? Ou os ricos com seus castelos, fazendas, criação de rebanhos bovinos, carros de cabine dupla e facilidade para estar a qualquer hora em qualquer lugar?
São os políticos que amam Garanhuns? Os representantes da Imprensa ou do clero? Ou os artistas, quando não têm de se ausentar para receber uma chance lá fora e um belo dia virar estrela graças a São Luiz Gonzaga ou ao gordo Jô Soares, que resolveu dar uma mãozinha a moça dos cabelos de fogo?
Garanhuns não é fácil. Não dá para decifrar à primeira vista ou com um simples olhar. Nem fazendo a leitura dos jornais, que esquecem de informar, ou ouvindo todas as emissoras de rádio, estas bastantes significativas, mas sem conseguir abranger o todo, porque a cidade se alarga até aonde a vista não consegue alcançar.
Professores da Universidade Federal Rural perceberam esta dificuldade de definir a terra das sete colinas. Consideram mais simples entender Bom Conselho, ou Lajedo, mais ainda os municípios menores. Talvez porque aqui se misturou o fermento europeu, o passado do algodão, dos cafés, da criação de gado, das hecatombes, dos bispos severos e dos padres endiabrados.
Garanhuns, comparável a uma mulher formosa, de pernas torneadas e muitos outros atrativos, termina não sendo amada quanto merecia. É usada por aproveitadores, é sugada por quem está de passagem, é pisoteada por gente insensível, é ignorada por homens e mulheres superficiais. Desses seres humanos que não ligam para as casas, as ruas, a arquitetura, o crescimento do comércio, o surgimento das indústrias e muito menos para uma pretensa produção cultural.
Sem encontrar um ou vários grandes amantes, a cidade não consegue definir seu caminho ou vocação. Enquanto o tempo passa, vai sendo passada pra trás. Caruaru, Petrolina, Vitória, Gravatá, eram bem menores e insignificantes quando a gente era menino. Duas já nos humilham bastante com o seu vigor e as outras podem também nos ultrapassar.
Ninguém vive sem amor. Nem as cidades. Precisamos de quem vista a camisa, se disponha a lutar, a viver ou morrer por esse pedaço de chão. Santos, poetas, sonhadores, heróis. No dia em que juntarmos todos, alguns loucos no meio da turba, poderemos chegar a algum lugar.
E Garanhuns será uma só. Os bairros distantes tendo um tratamento decente, porque os moradores desses locais merecem a mesma dignidade dos habitantes do centro e dos lugares bonitos. Quando vier igualdade, justiça e fraternidade, aparecerão figuras dispostas a fazer declarações de amor. Não as falsas, as hipócritas, as que escondem interesses pessoais e desejo de riqueza e poder. Pessoas que realmente vão amar Garanhuns por inteiro. Que se irmanarão com o povo, começando a construir um novo tempo. A cidade poderá ser definida, perderá o status de “difícil”, a formatação pequeno-burguesa e desabrochará para seus filhos como uma flor. E aí sim, estará tudo bem. Não será o simples oba-oba dos que são subsidiados pelo dinheiro público, mas o sinal de que algo de fato acontece. Teremos qualidade de vida e uma população inteira sem medo de ser feliz. (Na foto a Praça Souto Filho, do pedaço europeu de Garanhuns).

11 comentários:

  1. Parabéns ao grande amigo Roberto Almeida.Pois conseguiu definir Garanhuns,com maestria,é extremamente lamentável ter que concordar integralmente com o artigo deste grande jornalista,que é um filho bastardo desta terra de Simoa Gomes,mas devota grande amor por esta terra.Sua caneta é pesada caro amigo.todavia,contra fatos não há argumento.Grande abraço.Profº Adilson Araújo

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  2. Meu caro Roberto Almeida, parabéns pela sua capacidade de desenvolver esta obra-prima.
    Lamento pela constatação deste diagnóstico literário. Não pela divisão das classes, pois vivem muitos garanhuenses nos bairros periféricos. Igualmente, vivem “forasteiros” na área nobre da cidade, aqueles que migraram para cá com o pensamento de explorar o potencial econômico do município. Nada contra aos que vieram em busca de uma melhor condição de vida. Eu migrei de Iati para Bom Conselho e de lá para cá, para assumir um emprego no Banco do Brasil, em 1977. Penso Garanhuns, como a capital do meu Agreste Meridional e sendo filho desta província, sinto-me no dever de defendê-la como cidade-pólo de desenvolvimento da micro-região. Lamentável que o desenvolvimento tenha sido direcionado apenas para o econômico, esquecendo o social e humano.
    Só através de mobilização da população periférica será possível equilibrar essa situação. É preciso que essa mesma população se manifeste contrária ao modelo de gestão praticado no município, questionando os gestores nos momentos necessários, principalmente nos processos eleitorais quando é pedido o voto popular. Será que nessa população não existem lideranças que possam organizar um movimento de repúdio a esse modelo?

    Abraço, Genaldo Barros

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  3. sou filho naturalissimo de garanhuns e nem por isso moro no centro ou na elite de heliopolis,creio que isso é uma colocaçao DE UM BURGUES QUE ACHA QUE SO OS RICOS SAO GARANHUENSES DE VERDADE,FICO TRISTE COM UMA COLOCAÇAO TAO PRECONCEITUOSA,TENHO 33 ANOS NASCI E ME CRIEI NA PERIFERIA E TENHO ORGULHO DISSO.

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  4. Parabéns Roberto Almeida, Tenho apenas 22 anos não vivi a época de ouro de Garanhuns mas lembro das Historias da minha Vó a Dona Dulce e as do meu Pai o Seu Clement que contava como Garanhuns era muito 'Grande' para aquela época com sua Fabrica de Relogios Hora Norte, a Fabrica de doces CID, a S. Moraes, Seus cinemas Jardim, Glória e Veneza e claro seus Colégios que formaram tantas pessoas. Minha Vó chegou no final da década de 40 veio do Recife com seu Marido Sargento Severino Ferreira e meu Pai nasceu no começo da década de 60. Fico impressionado com suas Historias sobre Garanhuns.

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  5. Comentário de Paulo Camelo. Caro conterrâneo Roberto Almeida. Seu texto deve voltar a ocupar a primeira página do seu blog devido a importância que o traz para todos nós. Garanhuns é uma cidade Cosmopolita sem domínio político familiar e sem líder burguês. À Direita carece de um líder burguês e à Esquerda, autêntica, ainda não conseguiu ocupar o poder em nossa cidade. À Esquerda, através do PSOL, apresentou o que há de melhor em termos de Propostas nas Eleições de 2008, para Prefeito, onde houve destaque para o Turismo e a nova CODEAM. Infelizmente a população insiste em votar errado e preferem os candidatos com mais poder econômico. Afinal, foram mais de 52 mil votos perdidos, ou seja, destinados para dois candidatos que não tinham nada a vê com a nossa cidade. O que falta então? Ser bem administrada. Esse é o grande nó que precisamos desatar. Os políticos que administram nossa cidade cuidam tão somente da política de exclusão dos nossos conterrâneos do convívio social. De que forma: não preservando o meio-ambiente, os imóveis históricos, a banda de música, a cultura, a nascente do Rio Mundaú, as festas tradicionais, o esporte amador e profissional, o emprego, as culturas das flores e do café, etc. Além disso, está em vigor, o arcáico Plano Diretor. Agindo assim, as pessoas perdem o amor pela cidade, permitindo o domínio político dos aventureiros. Não sou contra que pessoas de outras cidades participem da política local, mas que alguns deles têm culpa pelo nosso atraso, é pura verdade. Além do mais fazem muitos anos que Garanhuns é administrada por pessoas de outras cidades, o que não ocorre com Caruaru e Petrolina. Para muitos, Garanhuns já morreu há muito tempo. O período de 8 anos do governo Silvino ao atual de Luiz Carlos, tem como característica comum a perda dos 8 anos do governo Lula, uma vez que não houve apresentação sequer de um único Projeto de Desenvolvimento Sócio-econômico para a nossa cidade. Garanhuns é assim, do Plano Diretor que a transforma numa cidade Nanica e que nem sequer cita onde será implantado o Distrito Industrial. Garanhuns é assim, da FAMEG que fecha suas portas porque alguns políticos não têm a disposição de lutar e questionar o poder privado que tanto fez para não termos a Faculdade de Medicina. Aqui não cabe a discussão de ensino público ou gratuíto, mas da cidade que foi atingida por um "educador", do Recife, com sede de dinheiro. Por último quero lhe dizer que Garanhuns perdeu substancialmente a sua população nativa. Hoje, ela está sendo repovoada por pessoas de outras cidades, as quais em sua maioria não perderam o vínculo com suas cidades de origem e consequentemente não transferiram os seus títulos de eleitor.

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  6. Ok. O que o faz pensar que o garanhuense por excelência vive no Centro ou no Arraial? Parei de ler exatamente naquela parte. Não creio que tenha perdido muita coisa.

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  7. Outra coisa: se for para Garanhuns crescer da forma que Caruaru cresce, prefiro que minha cidade diminua até o tamanho do distrito de Neves. REveja suas prioridades, caro colega.

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  8. Muito bom o texto! Parabéns!

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  9. As pessoas precisam ler as coisas prestando mais atenção. No texto se defende a ideia que "o garanhuense legítimo está fixado "preferencialmente" no centro ou no maior pedaço de Heliópolis. Por isso não pode se generalizar. É claro que tem garanhuenses na periferia e "forasteiros" na área nobre. Não é a exceção que confirma a regra? O anônimo não sabia, mas vai saber agora: sou egresso de Capoeiras e do Recife. Moro na Cohab II há 17 anos. Conheço muita gente no bairro. Não tenho dúvidas de que mais de 80% são pessoas de Brejão, Iati, Lagoa do Ouro, Bom Conselho, Capoeiras, Caetés, Paranatama...garanhuense de Garanhuns aqui tem muito pouco. Tenho amigos e conhecidos em Manoel Chéu,Brahma, na Cohab I e Parque Fênix. Por lá também os que vieram das cidades vizinhas são maioria. Quando escrevo uma coisa, sei o que estou fazendo: não invento, jogo os dados da realidade. Agora me responda uma coisa, seu anônimo: como é que um burguês faz das tripas coração para botar comida na mesa e vive numa casa de Cohab? Aí eu estaria mais para masoquista do que para burguês. Quanto ao Matheus, que não conseguiu ler o texto até o final ou é um gênio ou um preguiçoso. Como se compreender o todo a partir de uma pedaço? Vai ver ele nunca leu um livro na vida, o que é lamentável. Quanto aos que elogiaram, o meu muito obrigado, não vejo no que contestá-los!

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  10. Parabéns ! tudo é verdade...

    uma pena ! Garanhuns, realmente precisa de muito mais amor "coletivo".

    Mauro Acioly

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  11. Comentário de Paulo Camelo. Caro conterrâneo Roberto Almeida. Garanhuns é uma cidade Cosmopolita sem domínio político familiar e sem líder burguês. À Direita carece de um líder burguês, enquanto que à Esquerda, autêntica, ainda não conseguiu ocupar o poder em nossa cidade para que possamos tirar à prova dos nove. À Direita, defensora do capitalismo, não possui um "padrinho político" em nossa cidade, consequentemente ela se comporta como um barco à deriva e sempre procura abrigo no guarda-chuva dos políticos que nada têm em comum com a nossa cidade, a exemplo de Armando Monteiro, Sérgio Guerra, Maurício Rands, Inocêncio Oliveira, José Chaves, etc. À Direita não têm Projeto Político Econômico para a nossa cidade, a Classe Empresarial é omissa quanto a questão política, a classe média e alta não quer saber da eleição para Vereador, a juventude, que forma a maioria dos eleitores, está completamente sem rumo, o movimento estudantil inexiste, os educadores, em sua maioria, não contribuem com a formação cultural e política da juventude e a educação é muito tímida no que diz respeito aos ensinamentos voltados para o conhecimento do município com todas as suas virtudes, riquezas e problemas. Convém lembrar que os alunos da UFAL, de Maceió, têm aulas práticas, em Garanhuns, quando visitam a nascente do Rio Mundaú. Contraditoriamente, a maioria da população sequer sabe dessa Nascente. Para facilitar o domínio político sobre os nossos conterrâneos, os governantes cuidam de apagar a nossa história. Por outro lado, à Esquerda, através do PSOL, apresentou o que há de melhor em termos de Propostas nas Eleições de 2008, para Prefeito, onde houve destaque para o Turismo e a nova CODEAM. Infelizmente a população insiste em votar errado e preferem os candidatos com mais poder econômico. Afinal, foram mais de 52 mil votos perdidos, ou seja, destinados para dois candidatos que não tinham nada a vê com a nossa cidade. O que falta então? Ser bem administrada. Esse é o grande nó que precisamos desatar. Os políticos que administram nossa cidade cuidam tão somente da política de exclusão dos nossos conterrâneos do convívio social. De que forma: não preservando o meio-ambiente, os imóveis históricos, a banda de música, a cultura, a nascente do Rio Mundaú, as festas tradicionais, o esporte amador e profissional, o emprego, as culturas das flores e do café, etc. Além disso, está em vigor, o arcáico Plano Diretor. Agindo assim, as pessoas perdem o amor pela cidade, permitindo o domínio político dos aventureiros. Não sou contra que pessoas de outras cidades participem da política local, mas que alguns deles têm culpa pelo nosso atraso, é pura verdade. Além do mais faz muitos anos que Garanhuns é administrada por pessoas de outras cidades, o que não ocorre com Caruaru e Petrolina. Por se encontrar destruída, para muitos, Garanhuns já morreu há muito tempo. O que é mais grave é que a maioria da população ainda não conseguiu vestir a nossa camisa. O período de 2 anos do governo Silvino, mais 5 anos e 4 meses do atual governo de Luiz Carlos, tem como característica comum a perda dos 7 anos e 4 meses do governo Lula, uma vez que não houve apresentação sequer de um único Projeto de Desenvolvimento Sócio-econômico para a nossa cidade. Garanhuns é assim, do Plano Diretor que a transforma numa cidade Nanica e que nem sequer cita onde será implantado o Distrito Industrial. Garanhuns é assim, da FAMEG que fecha suas portas porque alguns políticos não têm a disposição de lutar e questionar o poder privado que tanto fez para não termos a Faculdade de Medicina. Aqui não cabe a discussão de ensino público ou gratuíto, mas da cidade que foi atingida por um "educador", do Recife, com cede de dinheiro. Por último quero lhe dizer que Garanhuns perdeu substancialmente a sua população nativa. Hoje, ela está sendo repovoada por pessoas de outras cidades, as quais em sua maioria não perderam o vínculo com suas cidades de origem e consequentemente não transferiram os seus títulos de eleitor. Abraços, Paulo Camelo

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