quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O CORREIO E A DESIGUALDADE CULTURAL



O Correio Sete Colinas entra no 11% ano de circulação. Só quem participa do processo de edição de um jornal desses, aqui no interior, sabe das dificuldades enfrentadas. As pessoas leem pouco no Brasil, a maioria dos comerciantes de Garanhuns não têm dinheiro para investir na mídia, os pouco dispõe de recursos preferem apoiar a grande imprensa da capital ou a emissora de televisão de Caruaru. Ora, pra que gastar num jornalzinho da cidade? E eles, que nunca leram nada na vida, nivelam todos por baixo, sem desconfiar da diferença entre um jornal de verdade (por pequeno que seja) e um mero classificado, um mural de recados. Falta também mão-de-bra especializada. Embora todos queiram ser jornalistas sem diploma, 99,9% dos nossos conterrâneos não sabem o que é um lead, nariz de cera, onde está o "gancho" da matéria. E se você evita a reportagem ou nota bajulatória, está sujeito a um processo, movido por um imbecil qualquer, que se acha o dono do mundo só porque tem uma bela casa e um carro do ano. Dizer a verdade não pode!
Apesar de tudo isso, estamos há 11 anos na batalha. Alguns colaboraram, no início e até os dias de hoje: Luciano Andrade, Simão Silva, Carlos Janduy, Marcílio Luna, Marcílio Reinaux, Marcos Cardoso, Carlos Janduy, Kitty Lopes, Rafael Brasil, Pedro Jorge, Odete Souza, Luzinete Laporte, Fernando Luna, Lulinha, Wilson Silva,Fernando Rodolfo, Ivo Amaral, Roberto Gueiros, Núbia Kênia... Não dá para citar todos mundo, relaciono pelo menos os que foram ou são mais presentes. Há também anunciantes fieis, que valorizam a qualidade. No próprio jornal depois a gente faz um levantamento deles, de 1999 até cá.
Na ilustração acima, a capa do número 261 do Correio, que se tudo der certo chega às bancas e a casa dos assinantes e clientes a partir deste sábado. As dificuldades são muitas, repetimos, mas conseguimos um novo parceiro: o radialista Geraldo Mouret, que produziu uma "penca" de boas matérias trazendo para nós o mundo da Universidade Federal Rural de Pernambuco, na Unidade Acadêmica de Garanhuns. É um dos destaques da edição, mas têm outras coisas interessantes que merecem ser vistas. Tem assinante até em Brasília que nos acompanha regularmente. E tem muita gente aqui na esquina que nem sabe da existência do Correio. No Brasil a desiguldade social é provocada sobretudo pela "desigualdade cultural". Poucos apreciam Milton ou Jazz (embora a cidade tenha um festival), porém centenas, milhares escutam Calypso e essas bandas de forró de nomes poucos criativos ou grosseiros. Em certo sentido, Caetano e Gil têm razão: O Brasil também tem sua porção de Haiti - pelo menos sem terremoto, graças a Deus!

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