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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PÉROLAS DA MPB

Os brasileiros, dos anos 80 para cá, foram apresentados a duplas caipiras que cantam uma falsa música sertaneja. Primeiro foi Chitãozinho e Chororó, depois Zezé de Camargo e Luciano, mais recentemente Bruno e Marrone, até que virou uma epidemia. Com todo respeito a esses artistas (inclusive Zezé e o irmão inspiraram um filme maravilhoso do cinema nacional, "Os Dois Filhos de Francisco), eles não fazem música sertaneja nem autenticamente caipira. Essas duplas produzem um som romântico com letras de boleros de baixa qualidade, gostam de miar como as cantoras do forró estilizado (outra deturpação da boa música) e substituem Roberto Carlos no gosto popular, sé que o produto final é muito inferior ao do artista de Cachoeiro de Itapemirim.

Música sertaneja, representativa do interior do Brasil, cantando as coisas boas ou más da vida rural, fazia a dupla Tonico e Tinoco, Pena Branca e Xavantinho, e ainda hoje faz o Renato Teixeira, que embora não tenha uma origem tão da roça, como esses outros citados, demonstra um imenso amor pela terra, a natureza, os fatos singelos que marcam o interior paulista. Desses artistas, o que mais conheço (no caso o trabalho) é o Renato, que ficou conhecido no Brasil inteiro graças a uma versão de "Romaria" gravada pela eterna Elis Regina.

Recentemente, num magazine de Garanhuns, encontrei um CD reunindo dois discos da dupla Cascatinha e Inhana (foto). Nem sabia o que ia encontrar, mas a intuição não falhou: descobri uma verdadeira jóia da MPB, uma autêntica dupla do melhor da música sertaneja, que eu sabia apenas ter sido a primeira a fazer sucesso em todo o País com a gravação de "Índia", uma versão de Zé Fortuna do original em espanhol. O Paulo Sérgio, Gal Costa e Roberto Carlos, em décadas diferentes, também gravariam a versão.

Cascatinha e Inhana eram casados e ambos nasceram em cidades do interior de São Paulo. Seus nomes verdadeiros: Francisco Santos e Ana Eufrosina, porém desde crianças ganharam os apelidos com os quais ficariam conhecidos na vida artística. O CD que e descobri na loja aqui da cidade reúne quase duas dezenas de obras-primas e olha que nem incluiu "Índia", embora traga a incrível "Colcha de Retalhos", que faz a professora Josevalda Cavalcanti chorar, lembrando dos seus tempos de menina, lá em Jupi.

"Eu era criança, ouvi uma vez na feira e nunca esqueci". Já prometi uma cópia da preciosidade a amiga, que foi casada muitos anos com o professor Ozano, muito conhecido em Garanhuns, Paranatama e muitas cidades da região. Abaixo, para terminar esse comentário que virou uma crônica, um pequeno trecho da letra de "Colcha de Retalhos". Claro que não é a mesma coisa de ouvir a dupla paulista (Inhana morreu em 1981 e Cascatinha em 1996), contudo se o leitor for sensível vai perceber que as letras dos falsos sertanejos não trazem essa poesia nem a ingenuidade ou pureza destruída pela indústria da cultura de massa.
"Aquela colcha de retalhos que
Tu fizeste
Juntando pedaço em pedaço
foi costurada
Serviu para o nosso abrigo em
Nossa pobreza
Aquela colcha de retalhos está
Bem guardada
Agora na vida rica
que estás vivendo
Terás como agasalho
colcha de cetim
Mas quando chegar o frio
No teu corpo enfermo
Tu hás de lembrar da colcha
e também de mim."

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