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domingo, 25 de outubro de 2009

INVESTIGAÇÃO A RESPEITO DO QUE CHAMAM DEUS


Sempre, aos domingos, começava os meus textos com uma oração. Já faz quatro ou cinco semanas que não faço isso. Hoje, termino o dia com um poema de fundo religioso. Foi feito à tarde, em Lajedo. Minhas filhas Carolina e Vitória brincavam alegremente e eu tinha na cabeça os versos de "Chão de Giz", de um poeta paraibano chamado Zé Ramalho. O título parece coisa meio policial, mas foi de propósito, para chamar a atenção.

INVESTIGAÇÃO A RESPEITO DO QUE CHAMAM DEUS

O celular e a internet
não conseguem conectar
a gente com Deus.
Ele não se mostra na TV aberta
- a televisão dos pobres -,
nem na TV fechada, a cabo,
- a televisão dos ricos -.
É possível sentir a presença do Criador
na Igreja Universal, na Assembleia de Deus,
na Renascer do jogador Kaká,
entre os Adventistas do Sétimo Dia,
os presbiterianos, os batistas, os mórmons,
as Testemunhas de Jeová, os católicos,
os budistas, os islâmicos, os espíritas?
Todos os caminhos levam a Deus?
Ou só um deles está com a verdade,
mais próximo do Pai?

Fernando Pessoa,
o genial poeta português,
via Deus na natureza, nos cumes,
nos mares, no sol, nas estrelas, nos campos,
chamando cada um deles pelo seu nome
e não por Deus.

Acredito que cada partícula do universo,
os átomos, neutrons, protóns,
células, moléculas, microorganismos,
pássaros, girafas, leões, cavalos,
macacos, humanos,
são parte desse Deus de Alberto Caeiro
(uma das facetas de Pessoa).

Cada pedacinho do cosmo é Deus.
E tudo somado também é Deus.
A sensação do divino está no orgasmo
simultâneo de um homem e uma mulher
que verdadeiramente se amam.
Nos versos do poeta.
Na criação de artistas como Da Vinci
na música erudita de Mozart e Beethoven
e também dos compositores populares.

Tudo outra vez, de Belchior
Chão de Giz, de Zé Ramalho
Onde Deus possa me ouvir, de Vander Lee
Cálice, de Chico Buarque
Força Estranha, de Caetano
Pastora do Tempo, de Ednardo
A Deusa da Minha Rua, de Newton Teixeira/Jorge Fara
El Dia que me queiras, de Carlos Gardel/Alfredo Le Pera
Chão de Estrelas, de Silvio Caldas/Orestes Barbosa
A força que nunca seca, de Chico César
Dia Branco, de Geraldo Azevedo
É Preciso, de Gonzaguinha...

São exemplos de canções capazes de despertar
nas pessoas a sensação do divino.
Essas obras não devem
ter sido geradas por um fenômeno tipo o Big Bang.
Nasceram de um sentimento
que veio lá de dentro,
de uma parte da mente
que os médicos e cientistas
ainda não conseguiram desvendar.
Nasceram do mistério,
de um momento mágico
em que o artista não foi só razão.
Ele estava sintonizado ou conectado
com o Cosmo, o Universo, o Orgânico,
o espiritual, o contraditório, o paradoxo, a beleza,
produzindo um ato de amor.
Isso aí chamam Deus.
Como as partículas invisíveis,
as árvores frondosas
as hortênsias do jardim lá de casa,
o movimento delicado dos recém nascidos
(bebês humanos, gatos pequeninos, cachorrinhos,
são igualmente graciosos).

O escritor, o ator, o artista plástico,
o artesão, o repentista, o marceneiro,
o camponês que planta, colhe,
a mãe que amamenta,
são todos seres a praticar
atos inspirados por Deus.
Que pode eventualmente
estar desconectado do mundo virtual
ou ausente de uma dessas igrejas.
Mas está no todo, nos pequenos gestos,
na vida que flui desde o início
e que só findará quando não houver mais Deus.


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