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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

LANÇAMENTO DE LIVRO

"A Geração de Eurípedes" é o meu quinto livro. O preferido do autor, porque as histórias, poemas e crônicas reunidas trazem diversos significados. E também porque de uma maneira muito singela faz uma homenagem a pessoas muito queridas. Muitos que partiram, como todos os integrantes de geração do meu pai, Aluízio Alves, Thiago Correia, Vilma Paiva e Monsenhor Adelmar. Outros que estão próximos, contribuindo com sua inteligência para o desenvolvimento do Agreste e de Garanhuns: Rafael Brasil, Luzinete Laporte, Carlos Janduy, Ronaldo César... Acho que a cada um deles devo alguma coisa. Uma contribuição para o jornal, um elogio generoso, um gesto de amizade, uma palavra amiga.
Este livro para mim tão precioso teve um lançamento desastroso durante o FLIG de 2008. Mesmo assim, os que tiveram oportunidade de conhecê-lo gostaram do trabalho. E tive a paciência de esperar, certo de que um dia eu iria entregá-lo a um grupo de pessoas capazes de ficar sensibilizadas com as histórias ali reunidas.
Este dia chegou e foi nesta quinta-feira à noite, no pátio do Colégio Municipal José Soares de Almeida. Um público selecionado de mais de 200 pessoas acompanhou atentamente o lançamento tardio na terra natal e mesmo com o fio de voz que me restou pude deixar completamente em silêncio durante cerca de uma hora a plateia presente.
Falei da história das irmãs que se reencontraram depois de mais de 50 anos, num incrível desencontro de meio século envolvendo as cidades de Venturosa, Capoeiras e Angelim. Samuel Salgado, o ex-prefeito, ficou impressionado com esse conto e revelou seu desejo de conhecer as duas mulheres que fazem parte da trama e moram no município governado por ele em três oportunidades.
Falei um pouco também da história fabulosa da mãe que teve um filho assassinado, no Recife, depois de uma partida entre o Santa Cruz e o Náutico. Ela, abalada, investigou com a ajuda de amigos e descobriu os responsáveis pelo ato de covardia. E essa mãe, já idosa, fez questão de vingar ela mesmo o filho querido, despachando com um único tiro no coração o criminoso que lhe causou tanta dor.
Por fim, falei da "Geração de Eurípedes", dos moradores antigos de Capoeiras e das suas famílias, reunidas em sua maioria em torno do lançamento do livro.
Pude trazer à mesa não somente às autoridades, mas principalmente Dona Caboquinha, primeira viúva dos que fizeram "A Geração de Eurípedes"; um representante dos estudantes do colégio e o professor Ademar Júnior, sobrinho de Jorge Cordeiro e neto de Seu Lula, um dos últimos a partir daquele grupo de homens extraordinários do pequeno vilarejo.
O livro, que esgotou a tiragem nesta noite memorável, não pertence mais ao autor. Agora é dos filhos e netos de Euclides, Adauto, Heronides, Alvinho, Aluízio, Seu Doca, Zé Vieira, Ulisses, Zé Pretinho, Pedro Preto e tantos outros.
"A Geração de Eurípedes", como pode pensar no primeiro momento o leitor do blog, não é uma mera história provinciana, com as reminiscências do jornalista sobre a terra natal. O livro na verdade pretende falar com franqueza da única coisa certa na nossa caminhada: o encontro com a morte, que cedo ou tarde vem. Mas o volume não é um relato de tristezas, choro e dor. Deixa apesar de tudo um sopro de esperança e constata que de uma maneira ou de outra continuamos nos filhos, nos netos, nos bisnetos...
A história principal do livro em questão pode ser transportada para Caetés, São João, Angelim, Lajedo, Correntes, Garanhuns ou Jupi. Tanto que padre Marcelo Protásio, natural do último município citado neste parágrafo, teve uma identificação profunda com este conto e confessou ter ficado emocionado.
O leitor do blog perdoe eu hoje ter esquecido do escândalo da ponte, não ter escrito a respeito da CPI da Câmara, que não foi instalada, omitido informações sobre a cidade e outros assuntos passageiros. É que eu não poderia ter deixado de fazer esse registro retratando como foi a bela solenidade de ontem à noite. Eu e mais de 200 pessoas estávamos totalmente sintonizados, numa comunhão perfeita. Esquecidos até das diferenças políticas, porque no fundo sabemos - mas muitas vezes esquecemos - que é muito melhor viver em harmonia do que lutando contra moinhos, como fazia o Dom Quixote. Ele talvez estivesse certo, na sua loucura, porém nós às vezes transformamos em moinhos os próprios irmãos e aí cometemos erros.
Devemos estar atentos para evitar os desvios de caminho e buscar os acertos, a harmonia, a paz, a comunhão com quem nos cerca. Não precisamos ser Cristo, nem Buda, nem São Francisco de Assis. Precisamos somente potencialiar a condição de que somos humanos e vivenciar simplesmente o humano que trazemos dentro de nós.

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