No domingo mais uma pessoa faleceu vítima de Covid em Garanhuns. Tinha 36 anos e morava na Boa Vista. A informação é que ele morreu no Hospital de Campanha improvisado pela Prefeitura na UPA da Cohab II.
A Secretaria de Saúde distribuiu a seguinte nota:
A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da
Vigilância Epidemiológica, informa que foi confirmado um óbito por Covid-19,
neste domingo (21), em Garanhuns. Trata-se de um homem, de 36 anos, morador do
bairro Boa Vista, que já havia sido diagnosticado com a doença, e veio a óbito
hoje, em unidade da rede pública municipal.
Três
pessoas estão internadas na Unidade de Tratamento Covid-19, duas testaram
positivamente para o novo coronavírus, e uma segue aguardando resultado para
confirmação ou descarte da Covid-19.
Atualmente
Garanhuns tem 358 casos confirmados de Covid-19. Deste total 27 pessoas vieram
a óbito, 250 estão recuperadas após cumprir o período de isolamento domiciliar
e não apresentar mais sintomas; e 81 pessoas que foram confirmadas com Covid-19
estão em fase de tratamento e/ou isolamento. Ao todo, 354 casos já foram
descartados, após serem submetidos ao exame e obtiverem resultado negativo. Ao
todo, já foram realizados 157 testes pela rede municipal.
A Secretaria de Saúde reforça o pedido para que a população permaneça em casa! Se for necessário sair, faça o uso de máscara, lembrando também dos cuidados com a higiene. Todos aqueles que não estão envolvidos com os serviços essenciais devem cumprir as medidas de distanciamento social, de acordo com as orientações das autoridades sanitárias.
Incrível
como a maioria das pessoas prefere os assuntos paroquiais ao debate nacional.
Esta
semana publicamos um artigo procurando fazer uma análise aguçada da eleição de
Bolsonaro, mostrando que as elites queriam o Geraldo, mas com o naufrágio do
tucano na campanha de 2018 a pregação por “um mal menor” terminou com a vitória
do capitão.
O artigo
citado, ao nosso ver, poderia ser estampado em qualquer publicação nacional e
merece ser conhecido por um público amplo.
Mas até
agora só conseguiu 40 visualizações de página.
Já uma
notinha despretensiosa a respeito do aniversário do prefeito de Calçado,
Expedito Nogueira, já vai com quase 400 visualizações.
Para o público leitor, que entendemos e respeitamos, a homenagem ao gestor de Calçado é mais importante de que o grande assunto nacional do momento.
Um dos princípios do jornalismo é de que interessa mais às pessoas o que está próximo. O distante fica em segundo plano. Assim, a prisão de Queiroz em Atibaia parece ter acontecido muito longe. A televisão e a internet deviam aproximar o povo de temas gerais, mas nem sempre isso acontece.
*Na foto o município de Atibaia, no interior paulista. A cidade está ficando cada vez mais conhecida no Brasil.
As elites, a grande imprensa, parte dos empresários, setores conservadores, a “direita civilizada” e outros setores esclarecidos queriam a volta do PSDB ao poder, com Geraldo Alckmin, que foi o candidato do
partido à presidência, um nome confiável às classes dominantes.
Fernando Haddad, um professor
moderado, preparado, nunca foi uma opção para as “zelites”, por ser filiado ao Partido
dos Trabalhadores e apadrinhado pelo ex-presidente Lula.
“Ora bolas! Não tiramos Dilma
do cargo para o PT voltar ao poder pelo voto popular”, raciocinaram os que preferem
um governo para privilegiados e não para os que mais precisam.
Até o Sérgio Moro - lembram
daquele juiz de Maringá?- , queria os tucanos, trabalhou por eles.
Mas, com o fiasco da
candidatura de Alckmin, que teve uma votação ridícula, o algoz dos petistas
terminou embarcando também no projeto do capitão e deu uma ajuda preciosa para
que o ex-militar chegasse ao Palácio do Planalto.
Quem estudou ou leu alguma coisa de história, sabe que Hitler se instalou no poder na Alemanha com a omissão dos poderosos ingleses, franceses, e até americanos fecharam os olhos à barbárie nazista. Achavam que ele fosse um mal menor em relação ao comunismo.
Deu no que deu.
No Brasil aconteceu coisa parecida, embora Bolsonaro não seja Hitler, que era mais inteligente e mais cruel.
Acharam que o capitão representava um mal menor e agora estamos nessa encrenca. Moro, a Globo, Ministério Público, Judiciário, todos quebraram a cara e agora, ao querer se livrar do monstro que ajudaram a criar estão tendo trabalho. Não será tão fácil quanto descartar a Dilma, que além de ser do PT é mulher.
"O Bozo é tão rude quanto o Lula, só que sem a diplomacia e a habilidade dele", devem pensar hoje amplos setores do establishment, incluindo as Miriam Leitão e Reinaldo Azevedo da vida. Talvez até o Bonner e a Renata.
Lula tem origem humilde, foi retirante nordestino e operário em São Paulo. Ocupou durante oito anos um cargo historicamente destinado a intelectuais, políticos de alta classe, militares e outros bem nascidos.
No poder, o peão governou para todos e cometeu o pecado de olhar um pouco para os pobres, num país em que os ricos ainda desejam ter empregada doméstica como escrava e não suportam pobres viajando de avião ou comprando carros.
Petista foi preso pelo pecado da origem de classe, não por conta de um sítio ou apartamento que Moro nunca provou ser dele.
Como disse uma vez o filósofo Leandro Karnal, "ou Lula é um gênio em ocultação de crime ou é inocente".
Aí, em 2019 assume a presidência o capitão, nomeando malucos para o ministério, permitindo a interferência dos filhos no governo, dando patadas na imprensa, brigando com a Globo, a Folha, o Congresso e até o STF.
Um governo que já era ruim é surpreendido pela pandemia do século e o presidente se destaca mundialmente no enfrentamento da crise. Só que de modo negativo. Para jornalistas do mundo inteiro é o pior governante do planeta no combate à Covid-19.
Apesar do desastre, em torno de 25% dos brasileiros ainda veem de modo positivo a administração do capitão, que foi expulso do exército à época do general Geisel.
É que muitos se veem representado no presidente, um sujeito machista, homofóbico, avesso a livros e ideias.
Não é só Bolsonaro que deseja se livrar da esquerda, armar a população e propaga "bandido bom é bandido morto".
Milhões pensam assim.
Querem uma democracia consentida, controlada, ameaçada, que atenda a interesses específicos, sem essa conversa de governo do povo e para o povo.
No tempo do presidente Lula jornalista não foi ameaçado. A Globo, apesar de ter sacaneado com ele o tempo todo, teve respeitada sua concessão e fez o que bem queria. Até entrou com tudo na campanha para tirar a Dilma.
O Supremo, o Ministério Público, a Polícia Federal, todas essas instituições foram respeitadas no governo petista. Depois os integrantes desses poderes se voltaram contra o Lula e hoje todos estão pagando, de uma forma e de outra.
Ou você acha que os policiais federais estão satisfeitos com a interferência do capitão na instituição que até o Lula respeitou?
Hoje o Messias talvez tenha mais simpatizantes nas polícias militares, nos estados, do que na Federal.
Bolsonaro só tem a seu lado, hoje, deputados que fazem qualquer negócio, empresários como o velho da Havan, milicianos, pastores vigaristas, estúpidos, inocentes, oportunistas e muita gente sem escrúpulo.
Por isso que as elites estão querendo se livrar dele. Nas classes dominantes muitos são cultos, refinados, gostam de ir para Miami, pra Europa e brasileiro hoje perdeu o resto de respeito que tinha em qualquer lugar.
Pode passar por constrangimento na Argentina, no Uruguai, em Portugal, em qualquer país de Europa, nos EUA e até no Paraguai.
Estamos com um ano e meio de governo. Já tivemos em tão pouco tempo três ministros na saúde, vamos para o terceiro na educação, a Secretaria de Cultura mudou duas vezes, caiu o Moro na Justiça e teve a saída do Bebianno, que terminou morrendo de desgosto.
Para completar o quadro, vem o caso Queiroz, que envolve o filho de Jair e o próprio presidente, que até ensaiou uma defesa do ex-militar, envolvido em "tenebrosas transações", como na música de Chico Buarque.
E já que partimos para as citações musicais lembremos outra frase de um artista, o Gonzaguinha, que cantou para o Brasil inteiro, décadas atrás: "Não dá mais pra segurar, explode coração".
Esse é mais ou menos o sentimento dos 70% que desejam ver apeado do poder aquele que chegou lá num acidente de percurso.
Era pra ser o Alckmin, mas o picolé de chuchu não decolou, pra se livrar do PT elegeram o capitão, o "mal menor" e agora estão todos lascados, mesmo as tais zelites.
"Não existe nada mais Z do que o público classe A", disse uma vez Caetano Veloso, durante um show". Uma frase tão simples e explica tanto o que é o Brasil.
Fim de papo.