Dr. Domingos Sávio, o senhor é um homem de bom senso e de coragem.
Não demonstra
desejo de aparecer ou tampouco simpatias político-partidárias, como outros integrantes do MP, que viraram estrelas no Sudeste do Brasil.
O senhor promotor, ao que me parece, tem
senso de justiça, sentimento humanitário e não concorda com qualquer tipo de
preconceito ou discriminação.
Assim, de forma até
surpreendente, enfrentou o posicionamento do prefeito, do bispo e do
governador.
Terminou vencendo a contenda
numa instância superior e a peça censurada, no Festival da Liberdade, terminou
voltando à programação do Festival de Inverno.
O que se tem escrito de
sandices sobre o assunto não cabe nem no Google, que parecia infinito, mas
Garanhuns prova que não é.
Sabiamente, o escritor Wagner
Marques cunhou a seguinte frase, hoje, na sua página do Facebook:
“Já
que Cristo não ousou julgar ninguém, de tão atrevidos, alguns seguidores seus resolveram tomar pra si
essa lacuna no comportamento do filho de Deus”.
Perfeito.
Cristo
se juntava aos pobres, chegou junto dos leprosos e os curou, discordou da ordem
estabelecida (mesmo no campo religioso), expulsou comerciantes gananciosos do templo e pregou
que não se deve julgar ninguém.
Defendeu
até uma prostituta e quando quiseram apedrejá-la desafiou a massa não pensante:
“Atire a primeira pedra aquele que nunca pecou!”.
Defenderia
também um gay, uma lésbica, um travesti?
Acredito que sim, Dr. Domingos, pois quem numa vida
de 33 anos pregou o amor acima de tudo não iria tomar atitudes intolerantes,
alimentar ódios e atitudes doentias, homofóbicas ou racistas.
O
espetáculo vai ser exibido por decisão da Justiça – dentro da programação do
Festival de Inverno – e vai quem quer, ninguém é obrigado.
Quem
considera blasfêmia fica em casa vendo novela da Globo, um filme na TV por
assinatura ou na Netflix.
Esquece.
A peça não vai derrubar Izaías, Paulo Câmara
ou Temer, muito menos tornar Jesus ou Deus menor, já que eles são um só e, como
está na bíblia, são onipresentes e oniscientes.
Mais
grave do que uma leitura ousada do evangelho, é a fome voltando aos lares
brasileiros, é a violência crescente, como a que vitimou Marielle e tantos
outros, conhecidos ou anônimos.
Você
que acredita num Deus tão poderoso, certamente não acha que um espetáculo de
teatro para 200 pessoas vai abalar a vontade do Supremo Arquiteto do Universo ou mesmo a força do
cristianismo, com mais de dois mil anos.
Chega
de escrever sem pensar, repetir o que outros estão dizendo, sem procurar se
informar, sem desenvolver o senso crítico necessário para se posicionar como
ser racional, livre das paixões que embotam a mente.
O
Brasil está um atraso sim. Garanhuns é conservadora, sempre foi.
Mas
não podemos nos nivelar ao Afeganistão e ao Talibã, que tentou matar Malala aos 15 anos, pelo
crime de querer estudar.
Gente,
aqui não é a Suíça Pernambucana?
Então
vamos ser mais primeiro mundo e menos o quinto.
Vamos
ser mais classe A e menos classe Z, como diria o Caetano Veloso.
Botar
a cabeça para pensar e saber que o mundo amanhã continuará o mesmo.
Deus continuará
Deus, mesmo que explodam bombas, uma cantora chame palavrões (até padre chama palavrão, estão lembrados?) em praça pública e
no teatro um transexual ouse ser Jesus por uma noite.
Bom
senso. Nada mais que isso.
Parabéns
Dr. Domingos.
Conheço
o Sr. o suficiente para saber que não está posando para a plateia, não está
atrás de votos ou de holofotes. Apenas discordou de atitudes oportunistas e
preconceituosas, usando de suas prerrogativas para dar um basta à homofobia e a
qualquer forma de discriminação.
Demais,
o Pai perdoará tanta asneira. Afinal de contas hoje, como ontem, eles não sabem
o que fazem nem o que dizem.
Dr. Domingos o senhor nos representa. Não só Renata Carvalho e todos os diferentes que sofrem a não aceitação por uma sociedade burra e hipócrita, mas também a mim, que sou pai e avô e que acredito que as qualidades humanas não podem ser metidas pelo cor, pelo dinheiro ou pelo gosto sexual e sim pelo caráter e pelas atitudes. Se são generosas ou mesquinhas, se carregam a semente do amor ou do ódio.
Forte abraço deste admirador. Jornalista José Roberto de Almeida.