O PROTESTO DE GABRIEL

Comecei com São Francisco e vou terminar os textos do domingo com Gabriel, o Pensador. Já citei aqui uma frase, de uma música sua e Oliveira do Ceará, que está no último CD de Fagner (por sinal, às vésperas dos seus 60 anos lançou um dos melhores discos de sua carreira. E olhe que ele produziu muita coisa boa quando iniciou). Mas deixemos de delongas e vamos ao rapp, que vale por muito discurso de político, só para angariar votos.

MARTELO

Todo mundo quer viver feliz
em Gaza ou Jerusalém
e eu aqui na minha casa, nessa terra de
ninguém, também
vendo as fotos das crianças mortas nos jornais
o Oriente Médio não tem paz
mas tem menos ou tem mais
nesta parte aqui do mapa?

Nossas crianças mortas já não saem nem na capa
só saem nos jornais de vez em quando
se o crime for bem bárbaro, com câmera filmando
feito João Roberto, de três anos, no carro dos seus pais
metralhado por policiais
que confundiram uma criança
e sua familia com bandidos
depois foram julgados e absolvidos
juiz não teve pena nem responsabilidade
tá faltando pena e tá sobrando impunidadde
impunidade é a mãe da covardia
no país verde amarelo
tem inocente na cela
e tem bandido no castelo.

Arrastado pelo carro, João Hélio
da janela, Isabela
e quantos mais anônimos na roças, nas favelas
crianças estupradas, famílias destroçadas
chacinas, extermínios e ninguém faz nada.

(É apenas um trecho. Melhor é ler o texto todo, ouvindo o disco).

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